Tradução e transposições de minha autoria.
PERCURSO DE JEAN-PIERRE SARRAZAC
Sobre as sessões, as ideias, o formato
P.12
MATERIAL PRECEDENTE ao ateliê.
- 1) uma grande situação dramática referente ao repertório trágico (do teatro grego trágico ao teatro romântico europeu); 2) o texto várias vezes relido de uma dessas quatro tragédias: Prometeu de Ésquilo, Antígona ou Édipo Rei de Sófocles, Medéia de Eurípedes; 3) Um texto transcrito de uma conversa roubada, onde deverá estar ao máximo descritos os meandros, as complexidades, a oralidade...; 4) Um fragmento de uma história de vida que você aprendeu de alguma pessoa próxima; 5) Um ou várias passagens de jornal que remetem a Fait Divers; 6)Uma pequena documentação sobre um fato histórico de sua escolha; 7) uma fotografia tirada por você, que fale do estado atual do mundo.
P.13
[...] O si mágico de Stanislasvki. O grupo coopera com a escrita individual. Digo que após um participante terminar de ler o seu texto (formas breves ou ultra-breves, veremos), o coletivo é convidado a lhe propor os "si" (e se o seu pergonagem... e se a ação ocorresse... E se a peça fosse escrita de forma... E se fosse um sonho...) Esses "se mágicos" propões pistas para a reescritura dos textos, caso o autor queria segui-los. Nos ateliês que eu guio tudo pode se dizer, mas SEMPRE com os SE.
P.14
POR ONDE COMEÇAR?
Bom começo: realizar uma peça curta, "commedia dell'arte de hoje". Em meia hora, cada participante deve escrever uma ficha-personagem, de forma bem caricatural, de um tipo humano da nossa sociedade. Depois que já está escrita eu peço uma outra ficha, de um outro tipo. Depois colocamos tudo sobre a mesa. Cada participante se encontra com outras duas fichas onde ele irá escrever uma peça curta (3 páginas) confrontando esses dois personagens. Ele poderá colocar um terceiro. Podemos perceber a dimensão individual e coletiva do ateliê. As leituras serão feitas. E entraremos nas propostas dos "se".
P. 16
PEQUENOS DIÁLOGOS
Pequenos diálogos entre animais, entre objetos, entre ser humano e objeto, entre anjos, entre coisas invisíveis, entre surdos, entre si mesmo, diálogos heterocrônicos... Depois de realizados e lidos, proponho leituras de textos clássicos e contemporâneos que se referem a esses princípios. Tchekov, Vinaver, Jon Fosse, Daniel Keene, Koltès...
P.17
A CONVERSA ROUBADA
Usar o exercício precedente neste procedimento. Trocar os personagens, temas,
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27
CRIAR UM DISPOSITIVO
Escrever para o teatro hoje em dia é cada vez imaginar um agenciamento inédito do espaço e do tempo. As famosas regras de unidades permitem aos autores dramáticos de colorir suas criações dentro de um mundo predeterminado. Mesmo as noções de gênero - tragédia, comédia, drama, nos idos do século XVIII - já são obsoletas.
As questões se colocam quase que em termos brechtinianos : " como dar conta de um teatro do mundo em que vivemos?". Certamente não será pretendendo definir uma "teatralidade", como há numa televisão-realista, que se apresenta a nós como um zoo de tipo humanos artificiais, por ela reformatados.
O teatro não é uma esponja da realidade. Ele pode, em revanche, até pretender - como a filosofia, mas por meios diferentes, com perceptos e afetos (Deleuze) mais do que com conceitos - criar modelos efêmeros destinados a nos ajudar dar conta do real. Para atingir esse objetivo, o escrevedor deve tomar cuidado para não ficar preso nessa realidade que acreditamos tocar com os dedos.
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CRIAR UM DISPOSITIVO
Escrever para o teatro hoje em dia é cada vez imaginar um agenciamento inédito do espaço e do tempo. As famosas regras de unidades permitem aos autores dramáticos de colorir suas criações dentro de um mundo predeterminado. Mesmo as noções de gênero - tragédia, comédia, drama, nos idos do século XVIII - já são obsoletas.
As questões se colocam quase que em termos brechtinianos : " como dar conta de um teatro do mundo em que vivemos?". Certamente não será pretendendo definir uma "teatralidade", como há numa televisão-realista, que se apresenta a nós como um zoo de tipo humanos artificiais, por ela reformatados.
O teatro não é uma esponja da realidade. Ele pode, em revanche, até pretender - como a filosofia, mas por meios diferentes, com perceptos e afetos (Deleuze) mais do que com conceitos - criar modelos efêmeros destinados a nos ajudar dar conta do real. Para atingir esse objetivo, o escrevedor deve tomar cuidado para não ficar preso nessa realidade que acreditamos tocar com os dedos.
P.36
TAROTS DRAMATÚRGICOS
Alguns poucos
** "Desde já, que seu diálogo seja ação."
** "As palavras e o seu volume de silêncio."
** "Você escreve também com o seu inconsciente. Tenha confiança na livre associação, e pratique em relação as ideias que vem a você. Atenção flutuante."
P.37
Sobre o plano dramatúrgico, deve-se ajudar a cada participante do ateliê a encontrar, a inscrever eficientemente, seu trabalho dentro da perspectiva - e ela é múltipla e protofórmica - da forma dramática moderna e contemporânea.
JOSEPH DANAN
P.56
Transposição-Atualização-Parafrases-Transcrição ou Tragédia de 5 minutos.
Atualizar uma peça do repertório clássico. Fazer uma transposição contemporânea. Alguma que seja do breve conhecimento de todos. A ideia é trabalhar a partir de algum traço deixado em cada um pelo clássico ('a lembrança do clássico).
P.59 e 60
EU ME LEMBRO DE
Eu me lembro de. Não é um exercício apenas de memória. Não se refere à uma lembrança apenas pessoal, como 'eu me lembro do primeiro beijo', ou mesmo uma lembrança universal, 'eu me lembro da minha infância na praia'. Mas de uma lembrança que contenha, seja, o traço de uma época em você. Após feito (10minutos), todos devem ir lendo, a múltiplas vozes. Perceber esse dispositivo dramático: você partiu de uma voz e imaginou uma cena dramática.

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