PENSAMENTOS -
Xerox do Vinícius
Livro: Esse ofício do verso, de Jorge Luis Borges
- " Aqui talvez tenhamos chegado à ideia que tentei desenvolver em minha última palestra sobre a metáfora - a ideia de que talvez os enredos pertençam somente a uns poucos modelos. Claro, hoje em dia as pessoas inventam tantos enredos que somos ofuscados por eles. Mas talvez esse acesso de inventividade esmoreça, e quem sabe então achemos que esses muitos enredos não passam de aparências de uns poucos enredos." (p.58)
Entrevista sobre Pinókio de Roberto Alvim
(http://www.novasdramaturgias.com/conteudo/roberto_alvim/entrevista_roberto_alvim.pdf)
- "8. É possível notar mudanças no cenário teatral, em termos de
dramaturgia, hoje, em comparação a 10 anos atrás, quando o
projeto Nova Dramaturgia Carioca teve início?
O teatro vive hoje um dos maiores momentos de sua história, um
autêntico renascimento, graças à reinvenção de suas formas perpetrada
sobretudo pelos dramaturgos contemporâneos. O grande desafio para a
dramaturgia, hoje, é problematizar a ideia de trama, de conflito, de
personagem (esteios do drama tradicional, ligados ideologicamente a uma
visão hegemônica acerca da condição humana), e, promovendo o
desenvolvimento de obras com outras bases, conseguir fazer com que
estas se tensionem, criem ruídos, deslocamentos, desdobramentos, em
suma: fiquem de pé, proporcionando experiências estéticas inaugurais
que ampliem nossas vivências, conduzindo-nos em venturas
desconhecidas.
[...] Uma obra muito mais
próxima da lógica da poesia que da lógica da prosa. Os neologismos (e
arquiteturas linguísticas inusuais) presentes no texto são outras formas de
habitarmos a linguagem, são a criação de significantes que expandem e
instigam nosso imaginário na invenção de novos significados (inexistentes
até então), são potência, liberdade e arbítrio, redefinindo nossa estrutura
de pensamento, de sensibilidade, reconstruindo nosso modo de vermos a
nós mesmos e de nos relacionarmos e estarmos no mundo. E, em termos
temáticos, corroboram para a construção de uma NOVA MITOLOGIA, de
uma OUTRA HUMANIDADE, através do desenho de CRIATURAS-
LINGUAGEM que se constituem como alteridades radicais, NOVOS
MOLDES ARQUETÍPICOS. Um texto no qual a linguagem transita todo o
tempo entre as instâncias da EVOCAÇÃO e da INVOCAÇÃO. Trata-se de
um teatro que recusa o CONHECE-TE A TI MESMO e que propõe um
CONSTRÓI-TE A TI M-ESMO. A cena não é um ESPELHO no qual nos
reconheceremos, mas uma TECELAGEM norteada por outras possibilidades
de vir-a-ser, para além do homem cultural, normatizado, estático, conformado. Tudo tem a ver com forças inconscientes, invenção, desejo
(a dramaturgia como uma máquina desejante) e HIBRIDAÇÕES, em
permanente instabilidade e mutação.
Nenhum comentário:
Postar um comentário