sábado, 23 de março de 2013


PENSAMENTOS -


Xerox do Vinícius
Livro: Esse ofício do verso, de Jorge Luis Borges

- " Aqui talvez tenhamos chegado à ideia que tentei desenvolver em minha última palestra sobre a metáfora - a ideia de que talvez os enredos pertençam somente a uns poucos modelos. Claro, hoje em dia as pessoas inventam tantos enredos que somos ofuscados por eles. Mas talvez esse acesso de inventividade esmoreça, e quem sabe então achemos que esses muitos enredos não passam de aparências de uns poucos enredos." (p.58)

Entrevista sobre Pinókio de Roberto Alvim
(http://www.novasdramaturgias.com/conteudo/roberto_alvim/entrevista_roberto_alvim.pdf) 

- "8. É possível notar mudanças no cenário teatral, em termos de dramaturgia, hoje, em comparação a 10 anos atrás, quando o projeto Nova Dramaturgia Carioca teve início?
O teatro vive hoje um dos maiores momentos de sua história, um autêntico renascimento, graças à reinvenção de suas formas perpetrada sobretudo pelos dramaturgos contemporâneos. O grande desafio para a dramaturgia, hoje, é problematizar a ideia de trama, de conflito, de personagem (esteios do drama tradicional, ligados ideologicamente a uma visão hegemônica acerca da condição humana), e, promovendo o desenvolvimento de obras com outras bases, conseguir fazer com que estas se tensionem, criem ruídos, deslocamentos, desdobramentos, em suma: fiquem de pé, proporcionando experiências estéticas inaugurais que ampliem nossas vivências, conduzindo-nos em venturas desconhecidas.

[...] Uma obra muito mais próxima da lógica da poesia que da lógica da prosa. Os neologismos (e arquiteturas linguísticas inusuais) presentes no texto são outras formas de habitarmos a linguagem, são a criação de significantes que expandem e instigam nosso imaginário na invenção de novos significados (inexistentes até então), são potência, liberdade e arbítrio, redefinindo nossa estrutura de pensamento, de sensibilidade, reconstruindo nosso modo de vermos a nós mesmos e de nos relacionarmos e estarmos no mundo. E, em termos temáticos, corroboram para a construção de uma NOVA MITOLOGIA, de uma OUTRA HUMANIDADE, através do desenho de CRIATURAS- LINGUAGEM que se constituem como alteridades radicais, NOVOS MOLDES ARQUETÍPICOS. Um texto no qual a linguagem transita todo o tempo entre as instâncias da EVOCAÇÃO e da INVOCAÇÃO. Trata-se de um teatro que recusa o CONHECE-TE A TI MESMO e que propõe um CONSTRÓI-TE A TI M-ESMO. A cena não é um ESPELHO no qual nos reconheceremos, mas uma TECELAGEM norteada por outras possibilidades de vir-a-ser, para além do homem cultural, normatizado, estático, conformado. Tudo tem a ver com forças inconscientes, invenção, desejo (a dramaturgia como uma máquina desejante) e HIBRIDAÇÕES, em permanente instabilidade e mutação.
  

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