Que espaço é esse que estamos chamando de Ateliê de dramaturgia? Por que estamos buscando este lugar? Há algo no fim do horizonte que esperamos ver? Sobre essas perguntas que tenho me feito reporto-me a um texto que encontrei da escritora Giovanna Polarollo, dentro do livro "A arte de escrever", da EDDE. O texto me parece uma reflexão importante para nosso lugar de pensamento, hoje. 'Con esperanza pero sin desesperación', (p.75)
Livre fichamento do livro.
Toda a tradução é de minha responsabilidade.
LAURA BENETTI - Psicanalista (p.19)
Impossível falar da EDDE sem falar de encontro.
O que faz escrever? O corte
O que é escrever? Uma função.
XIMENA BERECOCHEA - Fotógrafa (p.21)
Temas como a disputa entre texto e imagem pela primacia no processo imaginativo, tanto de criação como de recepção de uma obra. As relações que guardam essas duas formas com o que representam e, portanto, como elas se relacionam com a 'realidade'. O jogo de verdade e mentira associado ao fato de mostrar e não mostrar.
FABIENNE BRADU - Escritora (p.23)
Que tipo de conhecimento pode ser útil a um escritor? [...] é tão difícil escrever uma boa vida como vivê-la. Tudo depende de uma coisa indecifrável, impalpável, imprevisível, indomável, que podemos chamar de talento. E isso que chamamos de talento, por falta de uma palavra melhor, não se explica nem se ensina. [...] antes de tudo, trata-se de um ensinamento por contágio. Despertar neles a paixão por todas as possíveis ficções que se precipitam em uma obra.
JEAN ARTURO BRENNAN - Músico (.p25)
Como conclusão do breve curso, tentei me aproximar de um tema pouco tratado e que, segundo as minhas expectativas, despertou também um interesse participar entre os participante. Se tratava de dar-lhes a conhecer algumas formas e estruturas básicas da música, e suas características construtivas particulares, através da audição de certos exemplos arquetípicos e, a partir disso, convoca-los para que em suas práticas pessoais de escritura tentassem, como experimento de arquitetura literária, criar textos nos modelos de algumas formas musicais básicas. Canon, Fuga, Rondó, Sonata...
ALDO CHAPARRO - Artista visual (p.27)
O exercício que propus para minha classe consistia na construção de uma esfera perfeita. [...] chegar à esfera perfeita, que está escondida dentro do bloco irregular (poliuretano).
Nessa construção entravam em jogo muitos aspectos; por um lado, estava o assunto de que não se construiria nada que viesse de um tema pessoal, mas que cada um buscaria chegar a uma forma perfeitamente conhecida por todos: a esfera.
Isso foi de muita utilidade, já que cada um pôde reconhecer sua maneira natural de responder a um problema, algo que corretamente capitalizado se converte no começo de uma estratégia de trabalho.
Pontos:
- O uso e a seleção de um tema, e sua importância dentro da obra.
- A importância de visualizar a obra terminada, para assim planificar o mais detalhado possível os processos de trabalho, tomando em conta as habilidades e deficiências pessoais, uma vez que essas são reconhecidas.
- Como através do trabalho em outras disciplinas é mais sensível visualizar os processos de construção de uma obra.
- Cada ideia tem um tempo específico de realização, que deve ser entendido desde o começo do trabalho.
FEDERICO CAMPBELL - Escritor - (p.29)
A ideia do curso foi indagar o funcionamento da memória no processo de criação literária.
Suas percepções são criações, e sua memória é parte de um contínuo processo da imaginação.
ADRIANA DÍAZ ENCISO - Escritora (p.32)
GUILLERMO FADANELLI - Escritor (p.34)
RAÚL FALCÓ - Músico e tradutor (p.35)
HÉCTOR FERNANDÉZ - Sensorâmico (p.37)
Que se possa experimentar é algo suculento. Exercício: explicamos que ficariam de olhos vendados para realizar um sensorama, que cada coisa que tocariam (incluindo um frango morto e depenado), cada som e palavra que escutassem, assim como os aromas percebidos, formavam parte da estória que teriam que escrever após. [...] O experimento consistia em transportar signos coerentes, quer dizer, a um estória escrita, essa semiótica sensorial.
MARGO GLANTZ - Escritora (p.39)
ANAMARI GOMÍS - Escritora (p. 40)
É necessário entender que o ator de escrever não é um processo sagrado mas uma condensação de tramas e de imagens feitas palavras. Também é uma necessidade e uma revelação: nossa íntima fealdade, a dos leitores, muitas vezes aparece refletida na escritura.
Existem muitas outras possibilidades de abordar "o literário". É o que ocorre na EDDE: rodear o assunto e vislumbrar o momento da faísca.
MARIO GONZÁLES SUÁREZ - Escritor (p.42)
Os gêneros literários são um preconceito e não importam. Os editores se inquietam muito se não podem determinar 'rápido e bem' a qual gênero pertence um livro, porque disso dependem suas estratégias de venda. Jamais concedem ao leitor 'o direito de nascer', como disse um clássico.
O ofício de escritor não se pode ensinar. Aprende quem está em contato com ele.
JUAN JOSÉ GURROLA - Diretor de teatro (p.43)
Não há nada mais refrescante como uma nova visão quando as ideias já se converteram em um muro ou numa cortina de fumaça, ainda que as cores variem.
FRANCISCO HINOJOSA - Escritor (p.47)
A EDDE se dedica a experimentar as artes e as ciências, a conhecer suas relações, que não poucas vezes estão mais próximas ao ato de escrever que o próprio discurso literário.
EDDE - visão multifocal da criação literária.
MÓNICA LÁVIN - Escritora (p.49)
DAVID LIDA - Escritor (p.51)
Eu propunha ideias, sugestões, e o que eu acreditava saber sobre os temas. No mais, não podia nada além que perguntar. Fiz perguntas que, no geral, os alunos contestaram sem titubear....
SANDRA LORENZANO - Escritora (p.52)
Escrever para 'tentar saber que escreveríamos se escrevêssemos', escreveu Marguerite Duras. Ou escrever para não morrer, talvez. Ou para não ser mais que palavras. Escrever porque não podemos fazer outra coisa; porque não queremos fazer mais nada. Escrever para conjurar os fantasmas. Escrever para não ter que ir a um escritório. Escrever rodeados de livros mesmo que isso nos leve ao silêncio. Escrever ainda que 'preferiríamos não fazê-lo'. Escrever com todo o corpo. Escrever para que alguém possa 'adotar a postura mais cômoda: sentado, caído, deitado...' Escrever para inventar anjos. Ou para enterrá-los. Escrever com vergonha. Escrever em pé. Escrever na hora violenta. Escrever por aqueles que não estão. Escrever ao ritmo da respiração, relaxados ou afogados num whisky. Escrever para não chegar nunca no ponto final. Escrever com medo. Escrever para inventar as vidas que não vemos do outro lado da porta. Escrever para explorar a noite. Escrever como náufragos. Escrever porque deus não nos escuta. Escrever porque todos morreremos. Escrever para escutar outras vozes. Escrever com lentes novas. Escrever, mãe, na língua dos assassinos. Escrever para dentro. Escrever para salvar os restos. Escrever desde a gagueira. Escrever ao redor do fogo. Escrever longe do computador. Escrever fragilmente. Escrever desesperadamente. Escrever em um tiro. Escrever em idiomas perdidos. Escrever para voltar à casa.
MÓNICA MANSOUR - Escritora (p.54)
RICARDO MARTÍN - Músico (p.56)
ÁLVARO MATA GUILLÉ - Diretor de teatro (p.58)
Na cena, o ator que quer ser ator, deve conviver e reviver essa animalidade pulsional, volta ao caos inicial vertido em linguagem que, neste caso, é ação combinada com o corpo, mas isso também deve ser feito pelo poeta e pelo narrador.
FABRIZIO MEJÍA MADRID - Escritor (p.60)
Pode-se ensinar aos outros fazer literatura? A resposta é não. Todos, escritores profissionais ou não, tomamos decisões narrativas para persuadir ou seduzir aos demais. A mentira é, talvez, uma das formas narrativas mais parecidas com a literatura. Nesse sentido, não só todos nós podemos fazer literatura, mas também precisamos dela para viver uns com os outros. É por isso que o que se poder ensinar não é a história - a anedota a ser contada é tão pessoal como uma escova de dentes - mas a forma que se pode passar por verossímil. Em uma escola de escritores se ensina a mentir, uma atividade que só se põe em jogo para os demais (por isso é uma falácia que existam escritores que escrevam para si mesmos) e, em seguida os exemplifica como grandes mentirosos: as eleições que fizeram seus autores para não serem descobertos, as sujeiras das pistas, os pontos de vista que burlam o escrutínio suspeito.
GERARDO MONTIEL KLINT - Fotógrafo (p.62)
Se revertemos esse conceito e assumimos que a fotografia capta sombras, então filosoficamente muda nossa percepção do meio e suas possibilidades de representação. A escuridão e as sombras são uma metáfora do nosso inconsciente onde mora nossa verdadeira essência, com suas perversões, fobias e os mais delirantes desejos.
Exercício do Assassinato. *VER.
PHILIPPE OLLÉ-LAPRUNE - Promotor literário (p.64)
A literatura não ensina nada e não se aprende.
A EDDE está feita da mesma matéria e tem a mesma textura que a própria literatura. Ao invés de impor um sistema de instalação de certezas, incita a recorrer um espaço de escritura.
IGNACIO PADILLA - Escritor (p.66)
Pode-se ensinar a escrever? [...]
São definitivamente escassos os escritores que devem sua formação aos workshops e oficinas literárias ou às faculdades de letras. [...]
Literatura aprende-se por inércia, pelo trânsito ávido e aberto do escritor no seu mundo. [...]
Que aprende-se melhor a literatura quando ninguém está proposto a ensiná-la, ou quando o que aprende está também em condição de instruir.
EDUARDO ANTONIO PARRA - Escritor (p.68)
EDMUNDO PAZ SOLDÁN - Escritor (p.70)
Há mais de dez anos que dou oficinas de escritura criativa Confesso que meu estilo é bem mais convencional: começo com alguns textos e ideias clássicas sobre o conto (o decálogo de Quiroga, as teses sobre o conto de Piglia,o iceberg de Hmingway), indico aos alunos uma série de livros de autores canônicos (Borges, Rulfo), e logo discutimos porque funcionam os textos, a partir de um ponto de vista formal: perspectiva, voz narrativa, diálogo, simbolismo, etc. Não sei se se pode aprender a escrever, mas sim, é certo, que uma oficina de escritura serve para que o aluno esteja mais consciente do processo de um escritor que implica um texto e seja, talvez, o melhor editor de si mesmo.
O convite para dar aula na EDDE me tirou da minha rotina. Me pediram para sugerir um tema e um livro, apenas. Não havia nenhuma estrutura determinada. Fiquei nervoso: me assustava um pouco que tanta liberdade terminasse em anarquia de muitas vozes disparadas para diferentes lugares e o silêncio de várias caras que não sabem o que dizer.
A grande maioria dos escritores que conheço não frequentou oficinas, workshops, mas aprendeu a escrever por um processo de osmose, lendo e discutindo leituras.
O grande mérito da EDDE é que faz algo que muitos sabem desde sempre, mas parece não aceitar: uma oficina de escritura cria, mais que escritores, editores.
MAURICIO PILATOWSKY - Filósofo (p.72)
SERGIO PITOl - Escritor (p.73)
Teve um momento em que se multiplicaram as "oficinas livres" de criação literária, de diferentes idades e conhecimentos literários. O mestre dava regras fixas e a imaginação do aluno paralisava. O início do conto, seu desenvolvimento e seu final deviam-se mecanicamente a uma retórica de ferro. Sem possibilidades de liberdade, de desafios, de jogos, o aprendiz de escritor e sua produção se estancava, se convertia em letra morta.
A EDDE criada no México há uns anos foi umas radical inovação.
GIOVANNA POLAROLLO - Escritora e roteirista (p.75)
(sobre a EDDE)
Explicaram, eu lembro muito bem, que o objetivo não era colecionar poemas, contos ou romances; é além, enquanto mais tempo o participante demore para escrever um texto, melhor. Como será então? perguntei incerta. Porque todas as oficinas que conheço funcionam, mais ou menos, segundo essa dinâmica: o condutor da oficina elege um tema, por exemplo 'narração em primeira pessoa', lê-se alguns fragmentos exemplares e logo em seguida cada aluno constrói um ficção onde o narrador protagonista ou testemunha conta algo. Também pode-se dar ''exercícios'': uma oração inicial com impulso, uma situação determinada para que seja desenvolvida, etc. "A EDDE não oferecerá oficinas desse tipo", disse Mario Bellatin com ênfase. [...]
Em primeiro lugar, que não o interessava que os estudantes aprendessem técnicas narrativas, muito menos fórmulas, mas que - creio que nesse momento ele não tinha muito claro o "como" - compreendessem a escritura como um processo pessoal e libre. A escola daria essa diversidade de instrumentos que cada um assimilaria ou negaria segundo os seus próprios instintos e interesses. [...]
Era como provar uma 'sopa de galinha', para dizer algo, e reconstruir a maneira como se teria preparado.
JOSÉ MAUNEL PRIETO - Escritor (p.77)
CRISTINA RIVERA-GARZA - Escritora (p.78)
ESCREVER: Antes que a escritura do poema ou do romance ou do ensaio, existe apenas a escritura. O ato de escrever. Aí começa e aí termina tudo - na escritura que é, como disse antes, o ato físico de pensar: essa série de movimentos tanto internos quanto externos que encarnam um certo e singular processo de pensamento.
ESCRITURA E LEITURA: Se escrever é o ato físico de pensar, ler é o ato físico através do qual pensamos com o outro e com sua obra.
MARCELA RODRÍGUEZ - Compositora (p.83)
O acontece com o escritor ao se enfrentar com a música? O escritor raramente se aproxima da arte sonora como um material de trabalho. A proposta do meu curso é justamente confrontar o escritor com os materiais musicais.
MARISOL SCHULZ - Diretora editorial de Alfaguara (p. 85)
[...] autores com uma obra terminada cujo desejo explícito é dá-la a conhecer.
ENRIQUE SERNA - Escritor (p.87)
IVÁN THAYS - Escritor (p.89)
Um escola que se propões a exigências tão complexas e inéditas não pode dedicar-se a corrigir adjetivos. Não deve cair no jogo fácil de comprar os alunos com a sensação - absolutamente falsa - de que estão indo "melhorando" quando o seu conto está mais crível e seu relato mais verossímil. A escola (EDDE) não pretende que um grupo de indivíduos escrevam contos mais ou menos legíveis - para isso estão as oficinas, os manuais de redação, etc, - mas que um grupo de escritores descubra sua vocação e tudo, absolutamente tudo o que tem que dizer, mora no seu interior.
MILAGROS DE LA TORRE - Fotógrafa (p.91)
A experiência na EDDE foi uma experiência compartilhada.
MIGUEL VENTURA - Artista plástico (p.92)
JORGE VOLPI - Escritor (p.94)
Cada vez que dei um curso na EDDE - que fui para conversar sobre literatura - saí mais perturbado, mais confuso e mais enlouquecido: mais apto para voltar aos meus livros. Em meio à banalidade que nos rodeia, este projeto é um oásis caótico que vale a pena celebrar.
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Aqui dois vídeos onde Mario Bellatin fala da Escuela Dinámica de Escritores.
Não há nada mais refrescante como uma nova visão quando as ideias já se converteram em um muro ou numa cortina de fumaça, ainda que as cores variem.
FRANCISCO HINOJOSA - Escritor (p.47)
A EDDE se dedica a experimentar as artes e as ciências, a conhecer suas relações, que não poucas vezes estão mais próximas ao ato de escrever que o próprio discurso literário.
EDDE - visão multifocal da criação literária.
MÓNICA LÁVIN - Escritora (p.49)
DAVID LIDA - Escritor (p.51)
Eu propunha ideias, sugestões, e o que eu acreditava saber sobre os temas. No mais, não podia nada além que perguntar. Fiz perguntas que, no geral, os alunos contestaram sem titubear....
SANDRA LORENZANO - Escritora (p.52)
Escrever para 'tentar saber que escreveríamos se escrevêssemos', escreveu Marguerite Duras. Ou escrever para não morrer, talvez. Ou para não ser mais que palavras. Escrever porque não podemos fazer outra coisa; porque não queremos fazer mais nada. Escrever para conjurar os fantasmas. Escrever para não ter que ir a um escritório. Escrever rodeados de livros mesmo que isso nos leve ao silêncio. Escrever ainda que 'preferiríamos não fazê-lo'. Escrever com todo o corpo. Escrever para que alguém possa 'adotar a postura mais cômoda: sentado, caído, deitado...' Escrever para inventar anjos. Ou para enterrá-los. Escrever com vergonha. Escrever em pé. Escrever na hora violenta. Escrever por aqueles que não estão. Escrever ao ritmo da respiração, relaxados ou afogados num whisky. Escrever para não chegar nunca no ponto final. Escrever com medo. Escrever para inventar as vidas que não vemos do outro lado da porta. Escrever para explorar a noite. Escrever como náufragos. Escrever porque deus não nos escuta. Escrever porque todos morreremos. Escrever para escutar outras vozes. Escrever com lentes novas. Escrever, mãe, na língua dos assassinos. Escrever para dentro. Escrever para salvar os restos. Escrever desde a gagueira. Escrever ao redor do fogo. Escrever longe do computador. Escrever fragilmente. Escrever desesperadamente. Escrever em um tiro. Escrever em idiomas perdidos. Escrever para voltar à casa.
MÓNICA MANSOUR - Escritora (p.54)
RICARDO MARTÍN - Músico (p.56)
ÁLVARO MATA GUILLÉ - Diretor de teatro (p.58)
Na cena, o ator que quer ser ator, deve conviver e reviver essa animalidade pulsional, volta ao caos inicial vertido em linguagem que, neste caso, é ação combinada com o corpo, mas isso também deve ser feito pelo poeta e pelo narrador.
FABRIZIO MEJÍA MADRID - Escritor (p.60)
Pode-se ensinar aos outros fazer literatura? A resposta é não. Todos, escritores profissionais ou não, tomamos decisões narrativas para persuadir ou seduzir aos demais. A mentira é, talvez, uma das formas narrativas mais parecidas com a literatura. Nesse sentido, não só todos nós podemos fazer literatura, mas também precisamos dela para viver uns com os outros. É por isso que o que se poder ensinar não é a história - a anedota a ser contada é tão pessoal como uma escova de dentes - mas a forma que se pode passar por verossímil. Em uma escola de escritores se ensina a mentir, uma atividade que só se põe em jogo para os demais (por isso é uma falácia que existam escritores que escrevam para si mesmos) e, em seguida os exemplifica como grandes mentirosos: as eleições que fizeram seus autores para não serem descobertos, as sujeiras das pistas, os pontos de vista que burlam o escrutínio suspeito.
GERARDO MONTIEL KLINT - Fotógrafo (p.62)
Se revertemos esse conceito e assumimos que a fotografia capta sombras, então filosoficamente muda nossa percepção do meio e suas possibilidades de representação. A escuridão e as sombras são uma metáfora do nosso inconsciente onde mora nossa verdadeira essência, com suas perversões, fobias e os mais delirantes desejos.
Exercício do Assassinato. *VER.
PHILIPPE OLLÉ-LAPRUNE - Promotor literário (p.64)
A literatura não ensina nada e não se aprende.
A EDDE está feita da mesma matéria e tem a mesma textura que a própria literatura. Ao invés de impor um sistema de instalação de certezas, incita a recorrer um espaço de escritura.
IGNACIO PADILLA - Escritor (p.66)
Pode-se ensinar a escrever? [...]
São definitivamente escassos os escritores que devem sua formação aos workshops e oficinas literárias ou às faculdades de letras. [...]
Literatura aprende-se por inércia, pelo trânsito ávido e aberto do escritor no seu mundo. [...]
Que aprende-se melhor a literatura quando ninguém está proposto a ensiná-la, ou quando o que aprende está também em condição de instruir.
EDUARDO ANTONIO PARRA - Escritor (p.68)
EDMUNDO PAZ SOLDÁN - Escritor (p.70)
Há mais de dez anos que dou oficinas de escritura criativa Confesso que meu estilo é bem mais convencional: começo com alguns textos e ideias clássicas sobre o conto (o decálogo de Quiroga, as teses sobre o conto de Piglia,o iceberg de Hmingway), indico aos alunos uma série de livros de autores canônicos (Borges, Rulfo), e logo discutimos porque funcionam os textos, a partir de um ponto de vista formal: perspectiva, voz narrativa, diálogo, simbolismo, etc. Não sei se se pode aprender a escrever, mas sim, é certo, que uma oficina de escritura serve para que o aluno esteja mais consciente do processo de um escritor que implica um texto e seja, talvez, o melhor editor de si mesmo.
O convite para dar aula na EDDE me tirou da minha rotina. Me pediram para sugerir um tema e um livro, apenas. Não havia nenhuma estrutura determinada. Fiquei nervoso: me assustava um pouco que tanta liberdade terminasse em anarquia de muitas vozes disparadas para diferentes lugares e o silêncio de várias caras que não sabem o que dizer.
A grande maioria dos escritores que conheço não frequentou oficinas, workshops, mas aprendeu a escrever por um processo de osmose, lendo e discutindo leituras.
O grande mérito da EDDE é que faz algo que muitos sabem desde sempre, mas parece não aceitar: uma oficina de escritura cria, mais que escritores, editores.
MAURICIO PILATOWSKY - Filósofo (p.72)
SERGIO PITOl - Escritor (p.73)
Teve um momento em que se multiplicaram as "oficinas livres" de criação literária, de diferentes idades e conhecimentos literários. O mestre dava regras fixas e a imaginação do aluno paralisava. O início do conto, seu desenvolvimento e seu final deviam-se mecanicamente a uma retórica de ferro. Sem possibilidades de liberdade, de desafios, de jogos, o aprendiz de escritor e sua produção se estancava, se convertia em letra morta.
A EDDE criada no México há uns anos foi umas radical inovação.
GIOVANNA POLAROLLO - Escritora e roteirista (p.75)
(sobre a EDDE)
Explicaram, eu lembro muito bem, que o objetivo não era colecionar poemas, contos ou romances; é além, enquanto mais tempo o participante demore para escrever um texto, melhor. Como será então? perguntei incerta. Porque todas as oficinas que conheço funcionam, mais ou menos, segundo essa dinâmica: o condutor da oficina elege um tema, por exemplo 'narração em primeira pessoa', lê-se alguns fragmentos exemplares e logo em seguida cada aluno constrói um ficção onde o narrador protagonista ou testemunha conta algo. Também pode-se dar ''exercícios'': uma oração inicial com impulso, uma situação determinada para que seja desenvolvida, etc. "A EDDE não oferecerá oficinas desse tipo", disse Mario Bellatin com ênfase. [...]
Em primeiro lugar, que não o interessava que os estudantes aprendessem técnicas narrativas, muito menos fórmulas, mas que - creio que nesse momento ele não tinha muito claro o "como" - compreendessem a escritura como um processo pessoal e libre. A escola daria essa diversidade de instrumentos que cada um assimilaria ou negaria segundo os seus próprios instintos e interesses. [...]
Era como provar uma 'sopa de galinha', para dizer algo, e reconstruir a maneira como se teria preparado.
JOSÉ MAUNEL PRIETO - Escritor (p.77)
CRISTINA RIVERA-GARZA - Escritora (p.78)
ESCREVER: Antes que a escritura do poema ou do romance ou do ensaio, existe apenas a escritura. O ato de escrever. Aí começa e aí termina tudo - na escritura que é, como disse antes, o ato físico de pensar: essa série de movimentos tanto internos quanto externos que encarnam um certo e singular processo de pensamento.
ESCRITURA E LEITURA: Se escrever é o ato físico de pensar, ler é o ato físico através do qual pensamos com o outro e com sua obra.
MARCELA RODRÍGUEZ - Compositora (p.83)
O acontece com o escritor ao se enfrentar com a música? O escritor raramente se aproxima da arte sonora como um material de trabalho. A proposta do meu curso é justamente confrontar o escritor com os materiais musicais.
MARISOL SCHULZ - Diretora editorial de Alfaguara (p. 85)
[...] autores com uma obra terminada cujo desejo explícito é dá-la a conhecer.
ENRIQUE SERNA - Escritor (p.87)
IVÁN THAYS - Escritor (p.89)
Um escola que se propões a exigências tão complexas e inéditas não pode dedicar-se a corrigir adjetivos. Não deve cair no jogo fácil de comprar os alunos com a sensação - absolutamente falsa - de que estão indo "melhorando" quando o seu conto está mais crível e seu relato mais verossímil. A escola (EDDE) não pretende que um grupo de indivíduos escrevam contos mais ou menos legíveis - para isso estão as oficinas, os manuais de redação, etc, - mas que um grupo de escritores descubra sua vocação e tudo, absolutamente tudo o que tem que dizer, mora no seu interior.
MILAGROS DE LA TORRE - Fotógrafa (p.91)
A experiência na EDDE foi uma experiência compartilhada.
MIGUEL VENTURA - Artista plástico (p.92)
JORGE VOLPI - Escritor (p.94)
Cada vez que dei um curso na EDDE - que fui para conversar sobre literatura - saí mais perturbado, mais confuso e mais enlouquecido: mais apto para voltar aos meus livros. Em meio à banalidade que nos rodeia, este projeto é um oásis caótico que vale a pena celebrar.
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Aqui dois vídeos onde Mario Bellatin fala da Escuela Dinámica de Escritores.

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