sábado, 6 de abril de 2013



*** Oficina de dramaturgia com Aristides Vargas (Teatro Malayerba) ***
 Lima, Peru. Maio de 2009.

Revendo meu diário.

19.05.09

  - Existem dramaturgias. Somos uma forma narrativa. Nossa cultura (religião, história...) é uma forma narrativa, que não depende do mundo moral, mas de uma forma.
  - Não temos que escrever NADA que não queremos. O que temos que escrever pertence a nós mesmos.
  - O autor/escritor/ator/público acredita escrever/fazer/ler as palavras de um teatro. Mas 'teatro' é apenas uma construção, um edifício. O que acontece nessa junção é algo inexplicável. Esse acontecimento que ocorre dentro do 'teatro' é a arte de empurrar alguém.

  - Personagem na escrita: falaremos de forças e não de personagens. Este é um vetor, uma força.
  - No teatro existem escrituras (ator, cenário, luz, texto...)
  - As forças desses vetores não se esgotam, por isso existem diferentes leituras. A força é um enigma.

  - Uma obra artística só pode ser explicada por outra obra artística.

  - O que vejo/escrevo/atuo é o que necessito ver/escrever/atuar. Há um grande abismo entre esses dois lugares.

  - Os exercícios de escrita são, servem, como aquecimentos. Igual fazemos aquecimento para o corpo. Escrever, pensar precisa desse treino. (Na ocasião da oficina nós realizamos alguns exercícios, dentre ele o de construção de gregerías.)

  - Modalidades de monólogo. (esse termo é um pouco equivocado, uma vez que entre ator e público não existe apenas um ser.)

      - Ficcionalizar o público;
      - Falar para alguém que não se vê;
      - Falar para um personagem real;
      - Falar para alguém que está longe no tempo e no espaço (*era o mais interessava Aristides naquela época.);
      - etc...

  - O ato de escrever/escutar/ler são distintos.
  - Aristides falou muito sobre a Presentação no teatro. Cada vez mais, o teatro mais autêntico e presente.

  - Como transferir para a cena o que escrevemos? As palavras que escrevemos são autorias. É preciso ser generoso: a 'ditadura' não é saudável no processo criativo. A prática ocidental do teatro, a nossa, NEGA o outro para afirmar o seu.

  - TODAS as vidas são extraordinárias.

20/05/2009

  - Exercício partindo de uma fotografia. (Imagens teatrais - [?])

      - A foto não é estática, tem movimento. É um start na ação, não ação ainda. A foto abandona o tempo da fotografia e passa ao tempo do teatro. O que a foto transmite: atitudes, sentimentos, atmosfera.. Primeiro transpor a imagem da foto (dos vetores) ainda estáticos e dizer todo o texto da cena que escrevemos (distribuir falas) parados. Como se a foto falasse. Depois, no processo, ir ganhando movimentos. Agora não estamos no campo das palavras, apenas.  Mas no campo do teatro, na [mecânica da imagem]
  - Como se dá esse diálogo? 

  - Eu (Aristides) vejo que a importância do teatro é dia que não dizem. Mostrar formas que não vemos.

  - O teatro é um grande acidente e o que fazemos é nos disponibilizar para esse acidente.

  - COMO A MEMÓRIA ESCREVE? De forma muito aleatória, singular, e nós guardamos o que necessitamos. É preciso se deter um tempo nessa busca. A humanidade só existe por conta da sua memória. 
ASSIS --> Ideia de um exercício de escrita: buscar na memória algum fato que te marcou: um acontecimento na família, por exemplo, uma cena com um desfecho que mobilizou várias pessoas, como numa festa de final de ano, por exemplo, alguma confusão...etc. Algum fato que nossa infância. Transpor com a maior quantidade de detalhes possíveis. Depois escrever uma avaliação do que ocorreu, um senso comum daquele fato. Depois reescrever a cena, mas mudando a 'realidade' do ocorrido. Mostrar que aquele senso comum estava errado. Analisar os fatos de modo a mexer no enredo. Agora são personagens. Dar voz à quem ficou calado, calar quem mais falou na cena real, criar outras possibilidades.

  - QUANTO de verdade tem nisso que você está fazendo?

  - O ensaio serve para o DESEJO. Os exercícios de escrita também servem para os desejos.

OBS:.  
     - Sobre os exercícios: Aristides pede para questionar a lógica das coisas. O sentido artístico não é lógico! DES-RACIONALIZAR nossa criação. Em "Nuestra señora de las nubes" a pergunta que Aristides se fez foi: como representar um sonho em que um espaço é uma cidade e um passo dela já é outro país?

  No teatro o ROUBO CRIATIVO é LEGITIMADO. Isso devia ser mais expandido para fazer pensar mais o sentido de TERRITORIALIDADE.

DIa 21/05/2009 - Dia prático de transposição do texto às cenas. As observações estão diluídas já nos textos anteriores.


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